Verão exige cuidados específicos para cães e gatos

Se na capital baiana faz calor praticamente o ano inteiro, o termômetro esquenta ainda mais durante o verão. Ótimo para curtir muita praia, piscininha e até programar uma viagem. Costumeiramente nesta época, os baianos se preocupam em beber mais água e utilizar protetor solar, evitando também muita exposição ao sol.

Esse calor extremo não é prejudicial apenas para os humanos, mas também para os animais de estimação. Durante o verão, médicos veterinários alertam para cuidados para que os pets não sofram durante a estação mais quente do ano. O sol forte ao longo de quase todo o dia é prejudicial tanto para o cão quanto para o gato.

Mas, de acordo com o presidente da Comissão de Saúde Pública do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMB-BA), José Eduardo Ungar, o cachorro costuma sofrer mais, por ter maior dificuldade em dissipar o calor. “O cão tem muito mais dificuldade de se adaptar a variações de temperaturas do que o gato. O cão tem uma capacidade de perda térmica muito ruim. Procura sempre dispersar o calor se colocando em locais onde está bem ventilado, pisos frios. Por isso eles gostam de deitar todo esparramado, se molhando cavando o chão atrás de uma areia mais molhada”, explicou.

Por isso é comum ver o animalzinho muito com a boca aberta, porque perdem calor pela respiração. “Eles só transpiram pelos coxins das patas. Então, têm uma dificuldade realmente de perder calor. A gente conversa sempre com os tutores para que tenham cuidado na hora do passeio e evitar os horários do dia mais quentes. Passear sempre no início da manhã, até as 9h, ou no final da tarde, depois das 16h”, recomendou.

Para quem tem o cachorro como melhor amigo e quer aproveitar os dias ensolarados em passeios pelas ruas ou pelos calçadões da orla, a principal dica é se atentar para o horário, a fim de evitar queimaduras nas patinhas. Já para os amantes dos felinos, evitar muita exposição ao sol e oferecer bastante água. “O chão está muito mais quente no verão, então o animal pode sofrer queimaduras nos coxins [almofadinhas das patas]. Você pisou, está muito quente? Não sai com o cachorro para não haver queimadura. Se usar sapatinho, evitar horários muito quentes, principalmente em se tratando de branquicefálicos [animais de focinho curto, como buldogue, pug, etc], porque eles entram em angústia respiratória muito fácil”, reforça a médica veterinária Carla Carvalho.

Esse cuidado deve ocorrer mesmo na praia. “A gente vê às vezes a pessoa levar o cão para a praia ao meio dia, é realmente uma estupidez, porque o animal não tem como lutar pelo calor e pode ter uma crise. O excesso de calor e incapacidade de dispersar o calor, isso pode às vezes até matar o animal, levar a uma convulsão. Para as pessoas que aceitam, tosar o animal durante o verão, porque com o pelo mais curto, o calor diminui. Esquecer um pouco a beleza e se preocupar com o bem estar. Faz uma tosa higiênica básica, e o animal vai ter uma condição de conforto técnico muito melhor”, afirmou médico veterinário José Eduardo.

Outra dica importante é deixar muita água disponível para os animais. E água limpa. Algo que não se pode permitir jamais é que nenhum pet beba água da piscina. “Porque o cloro pode acarretar distúrbios eletrolíticos [insuficiência renal], que em alguns casos pode ser fatal. E cuidado com os fogos de artifícios. Se puder evitar, perfeito. Se não puder, manter o animal em local seguro e sem rotas de fuga, porque é muito comum eles entrarem em pânico e fugiram”, destacou Carla Carvalho.

Cuidadores de pet que usam da criatividade

Estudante de medicina veterinária, Michele Lipphaus também hospeda cachorros em casa quando os tutores precisam viajar ou simplesmente precisam de alguém que cuide do animal. Lidando diariamente com cães, ela dá dicas bem simples e super importantes para ajudar o pet a enfrentar o intenso calor de Salvador. Além de colocar potes de água pela casa, o tutor pode oferecer água de coco e gelo.

“Geralmente eles adoram gelo. Pode congelar, por exemplo, cenoura, suco, caldo sem tempero, ou até a ração úmida e fazer picolé para eles. Também pode ser oferecido frutas frescas ou geladas para o animal, ou em forma de suco ou picolé, se atentando para as frutas que são tóxicas, como uva, carambola e abacate. Levar sempre garrafa de água durante as saídas e usar protetor solar específico para pets, principalmente nos animais de pelo curto e pelagem branca”, aconselhou.

Apaixonada por animais, a instrumentista de cirurgia, Edna Alcantara, segue praticamente todas essas recomendações. Ela conta que Castiel, seu cachorro de 6 anos, é como se fosse um membro da família.(Tribuna da Bahia)

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