Trabalho de formiguinha

Preciso ser sincero. Não consigo enxergar uma perspectiva otimista para o Vitória em 2019. As contratações foram modestas além da conta, a diretoria tem tentado – sem sucesso – maneiras de fazer crescer o orçamento e novas contratações, que certamente virão, vão chegar já com a temporada em andamento.

Mas é claro que há chance de sucesso. E ela depende, principalmente, da capacidade do técnico Marcelo Chamusca de executar com competência um necessário trabalho de formiguinha. Ou seja, ganhar o grupo, fazer com que os atletas tenham prazer em trabalhar para colocar em prática suas ideias. E, com tempo para treinar, definir uma maneira de atuar para a equipe.

A decisão de colocar um time sub-23 para os primeiros compromissos de 2019 é acertada, por duas razões. Assim, está garantido um período maior para Chamusca ajustar a formação principal – contando com a paciência de torcida e diretores para não mudar planos em caso de possíveis maus resultados. Também será positiva a experiência de colocar jogadores promissores para os desafios iniciais do ano. Dessa equipe podem sair ‘reforços’ muito mais importantes do que outros que venham de fora.

É o caso, por exemplo, do meia-atacante Luan, um dos grandes talentos das divisões de base do clube, que já teve pontuais boas atuações pelo profissional, mas ainda não conseguiu se consolidar. A partir de hoje, no duelo de abertura do Nordestão, contra o CSA, abre-se uma nova oportunidade para ele.

Troca de funções

Conto com a boa probabilidade de ele corresponder à expectativa e, por isso, coloco o jogador na escalação ideal que imagino para o Leão (veja no infográfico), com as peças disponíveis no momento. No jogo-treino do último domingo, no qual o Vitória ficou no 0 a 0 com o Olímpia – time que vai disputar a Segundona do Baiano – Chamusca usou o armador Andrigo aberto na ponta. Talvez por isso tenha faltado incisividade à equipe, que não conseguiu balançar a rede.

Fará muito bem ao time se Luan conseguir afirmar seu futebol. Com boa técnica de passe, drible e arrancada, se encaixaria bem no lado esquerdo do ataque, entrando na área ofensiva em diagonal. Na outra ponta, com Erick, o Rubro-Negra teria uma opção diferente, que explora mais a individualidade tanto nos dribles quanto nas finalizações.

Desta forma, Andrigo seria deslocado para o meio-campo, onde poderia executar com maior liberdade seu trabalho de armador ao lado de dois volantes mais marcadores. Escolhi Leandro Vilela, que foi escalado por Chamusca no jogo-treino e tem a característica de avançar mais, e Léo Gomes. Este último é um outro bom valor da base, mas vem sendo reserva nos primeiros testes de 2019. Acredito no seu potencial de ganhar a vaga para ser o responsável por iniciar as jogadas do Vitória, no entanto, o ideal mesmo seria que o clube conseguisse contratar jogadores de capacidade física maior para esta posição.

Por sinal, na minha avaliação, o time precisa de novos atletas em absolutamente todas os setores, mas vejo a defesa como o mais arrumado deles até o momento. O casamento da experiência de Edcarlos – apesar de nunca ter sido um exemplo de zagueiro seguro – com a juventude e a qualidade de Lucas Ribeiro tende a dar certo. Nas laterais, Jeferson e Benítez são jogadores conscientes de suas responsabilidades táticas, apesar de não serem grandes opções nas subidas ao ataque.

Vamos ver quanto tempo vão dar a Chamusca para trabalhar esse time. Que haja clareza e sanidade nas decisões.(A Tarde)

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