Conheça 10 das doenças de pele mais comuns no verão

Algumas podem levar até à morte; consciência do uso do filtro solar é fundamental

“Quero ficar preta”. Com essas palavras, a técnica contábil Daniela Adeodato, 42 anos, se justifica: não gosta de usar protetor solar. Prefere bronzeadores para deixar a pele morena e água oxigenada para dourar os pelos. E, como boa moradora de Salvador, ela não foge do sol. Bate ponto na praia pelo menos três vezes por mês. O problema é que, em algum momento, a conta chega.

No caso dela, o pagamento veio alto em dois momentos: há cinco anos, teve a primeira insolação. Tinha dormido enquanto tomava sol, em Stella Maris. No ano passado, mais uma insolação: estava na Ribeira e decidiu comprar um óleo bronzeador, desses que vendem na areia. Para completar, passou água oxigenada nas pernas e nas costas.

Mas o problema não é só com a insolação. A fila de doenças de pele cujo número de casos aumenta no verão é grande: desidratação, brotoeja, queimadura solar, melasma, micose, bicho geográfico… Neste primeiro fim de semana da estação mais quente do ano, os especialistas alertam para os cuidados indispensáveis para evitar esses problemas.

Como a pele é o maior órgão do corpo humano, também acaba sendo uma das mais afetadas pela chegada do calor. Pode até parecer que há mais doenças de pele no verão do que em outras épocas do ano, mas não é bem assim. “A pele tem doenças sazonais, de acordo com a estação do ano. Tem doença que é mais comum no inverno, na primavera… E tem as do verão”, diz Ana Cristina.

Filtro solar
Um dos cuidados é evitar o uso de bronzeadores – especialmente quando não dá para saber se onde eles vieram. A dermatologista Vitória Rêgo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), explica que o filtro solar é indispensável e que o fator de proteção deve ser acima de 30 para qualquer tipo de pele.

“A gente tem muita pele miscigenada, mas, mesmo assim, a gente recomenda o fator acima de 30. Para crianças, dá para usar filtros mais infantis, que têm menos química e são mais de barreiras.  É importante também sempre lembrar de usar chapéu, óculos e roupas com proteção solar, que melhorar a resistência da pele ao Sol”.

Por isso mesmo, a orientação da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é de que o protetor solar seja reaplicado a cada duas horas, se a pessoa estiver exposta ao sol. Isso vale mesmo se o produto for à prova d’água. Além disso, mesmo quem fica em ambientes fechados não pode dispensar o filtro solar, de acordo com a presidente da SBD – regional Bahia, a dermatologista Anete Olivieri.

Câncer de pele
E ela faz o alerta: ainda que o câncer de pele não seja imediatamente causado pela exposição ao Sol no verão, é uma doença que também pode ser consequência do excesso ao longo da vida. Segundo a dermatologista, o câncer surge a partir do efeito cumulativo da radiação ultravioleta.

“Evidentemente que a vitamina D é importante, mas você pode combinar as coisas. Ter 40 minutos de Sol, três vezes na semana, já é suficiente para ter sua vitamina D em dia. O restante de Sol é excesso. Tem que se proteger. Além de câncer, o Sol ainda causa envelhecimento”, explica.

Nem sempre o Sol é o vilão: conheça as doenças que ‘melhoram’ no verão

O Sol pode até favorecer o aparecimento de algumas doenças, mas ele não é o vilão para todas. Existem infecções – mesmo de pele – que são beneficiadas pelos raios solares. Esse é o caso da psoríase, que ocorre quando células da pele se acumulam e formam escamas e manchas secas que causam coceira.

É uma doença que pode ter razões emocionais – ou seja, em alguns pacientes, ela acontece em surtos. “A gente sabe que a psoríase não gosta de sol. A doença melhora com a exposição ao sol, a radiação ultravioleta, inclusive o tratamento é com fototerapia”, explica a médica dermatologista Ana Cristina de Oliveira e Sousa. De acordo com ela, nesses casos, o Sol auxilia a pele a se recompor e ainda ajuda na hidratação.

O dermatologista Gleison Duarte, explica que a psoríase é uma doença crônica relacionada a um distúrbio da imunidade: quando o sistema imune acaba atacando a própria pele, que fica vermelha, descama e pode arder e sangrar.

“Ela não é diagnosticada. Ela tem alta frequência: 1,3% dos brasileiros são afetados pela psoríase. O problema é ter o diagnóstico, porque o paciente com a doença peregrina, em média, por quatro médicos para conseguiur o diagnóstico. Com isso chega a demorar cinco anos para ela ser detectada e, muitas vezes, os tratamentos são incorretos”.

Na maioria dos casos, a exposição ao sol é benéfica. “Um repouso no sol forte, entre 10h e 14h, acaba ajudando. Não passa de 10 minutos.
Quando o sol é mais leve, como as 16h, nós recomendamos 15 minutos”, completa o médico.

Outra doença que não é tão conhecida, mas que tende a melhorar com a exposição ao Sol é a pitiríase rósea. É um problema que parece com uma impingem, quando começa como uma lesão e vai se desenvolvendo. No entanto, ela começa a se multiplicar. “Parece uma virose e vai se multiplicando nas áreas cobertas, por isso a exposição solar ajuda”, explica Ana Cristina.

Já a acne pode ter dois caminhos: pode melhorar ou piorar no verão. Se a pessoa souber dosar a quantidade do sol, as espinhas e cravos podem diminuir. “Mas se for uma exposição solar forte, você engrossa a pele e ajuda a obstruir a pele. Até o uso de protetor solar ajuda a obstruir os poros”, diz ela. A recomendação dela é que a exposição ao sol acontece logo cedo, nas primeiras horas da manhã.

Conheça 10 das doenças de pele mais comuns no verão (em ordem alfabética)

1.    Bicho geográfico – É o nome popular da Larva migrans cutânea – um parasita de pele que provoca produz irritação e coceira no local da lesão. É transmitida pelo contato com as fezes contaminadas de cachorros e gatos. Os sintomas ainda incluem inchaço e sensação de movimento debaixo da pele. Em casos graves – porém raros –, há relatos de alergia, tosse e falta de ar.

“Os animais sentam, manipulam a areia com a mão e pode inocular esse verme. É muito comum quando chove, porque a chuva lava as vezes, mas deixa os ovinhos na areia. Como ele não parasita o homem, ele não consegue ir para o intestino. Fica caminhando por baixo da pele”, explica a dermatologista Ana Cristina de Oliveira e Sousa. Para evitar o bicho geográfico, uma das dicas é nunca sentar diretamente da areia – usar uma toalha, por exemplo.

2.    Brotoeja – É como é mais conhecida a miliária, uma dermatite inflamatória provocada pela obstrução de glândulas sudoríparas. Ou seja, quando a saída de suor do corpo é impedida. Isso pode ser favorecido por ambientes quentes e úmidos, febre alta e até excesso de roupas.

São bolhas de água no tronco, pescoço, axilas e nas “dobras” de pele. É muito comum em crianças e bebês e os sintomas incluem erupções, bolhas, manchas vermelhas, coceira e queimação. “Acontece muito com crianças, mas também dá em adultos, principalmente em pessoas mais idosas. O poro é obstruído e forma as bolhinhas que coçam. Bem típico do verão”, diz a a presidente da SBD – regional Bahia, a dermatologista Anete Olivieri.

3.    Desidratação – Ocorre quando o líquido expelido pelo corpo não é reposto. Além da baixa concentração de água, há baixo índice de sais minerais e líquidos orgânicos. Os sintomas da desidratação leve ou moderada incluem sede exagerada, boca e pele secas, olhos fundos, ausência ou pequena produção de lágrimas, diminuição da sudorese e, nos bebês, a moleira afundada. Nos quadros graves, pode acontecer até perda de consciência, convulsões, coma, falência de órgãos e morte.

4.  Fitofotodermatoses – O nome complicado é, na verdade, de um problema bem conhecido: as queimaduras provocadas por contato com plantas e frutas fotossensibilizantes combinadas à exposição solar. São lesões avermelhadas que podem até formar bolhas.
“A gente se preocupa muito com as queimaduras, tanto as do sol como as que são provocadas por alimentos, como o limão, o caju e outras frutas em contato com a pele. Como as pessoas vão mais à praia, a gente tem muita queixa de queimaduras desse tipo”, afirma a dermatologista Vitória Rêgo.
Outros alimentos que provocam queimaduras são a tangerina, a lima, a cenoura, o figo, a salsinha, a arruda e a canela.

5.   Furúnculo – O furúnculo é uma foliculite bacteriana, ou seja, uma inflamação causada por bactérias. É um tipo de foliculite profunda que parece uma espinha com pus. Depois de atingir esse estágio, o caroço pode aumentar até formar um abscesso na pele. “O furúnculo está assolando. No consultório, às vezes, atendo dois, três casos por dia. Tem que ter cuidado com o abcesso porque pode cair na corrente sanguínea”, alerta a dermatologista Ana Cristina de Oliveira e Sousa.

6.    Impetigo – Extremamente contagiosa, é uma infecção bacteriana superficial comum, altamente, que ocorre principalmente no rosto de crianças. “Faz bolhas, pequenas feridas e, se coçar, pode disseminar. Por isso, é muito importante a higiene do local”, afirma a médica Ana Cristina.

7.    Impingem – É uma infecção da pele ou do couro cabeludo provocada por um fungo. “Ocorre principalmente na virilha, embaixo das mamas por causa do suor. Nessa época, as pessoas suam demais”, diz a dermatologista Anete Olivieri. Por ser uma doença contagiosa, é recomendado, inclusive, evitar compartilhar objetos pessoais com uma pessoa que esteja com a micose.

8.    Insolação – Nesses casos, a temperatura corporal aumenta rapidamente e o corpo não consegue se resfriar. A pessoa com insolação pode ter desde dor de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca até confusão, palidez e coma. “Insolação não afeta só a pele. Você pode chegar a perder a consciência. Tem casos que são graves e as pessoas precisam até ser hospitalizadas. A queimadura solar pode fazer bolhas na pele mesmo. É uma queimadura intensa”, alerta a dermatologista Ana Cristina de Oliveira e Sousa.

9.    Melasma – São manchas escuras na pele, principalmente na região do rosto. Ainda que seja mais comum em mulheres, também pode ocorrer em homens. Pode ser provocada pela exposição ao sol, mas também pela gravidez e pelo uso de anticoncepcionais femininos. “A radiação ultravioleta pigmenta, então, o pior é que não é só o Sol, mas toda a luz visível. A maioria das pessoas é crônica”, conta a dermatologista Ana Cristina de Oliveira e Sousa.

10.    Pano Branco – O nome popular da pitiríase versicolor é muito comum na estação mais quente do ano. As manchas brancas na pele são causas por um fungo que consegue invadir a pele, devido a fatores como o calor e a umidade. É muito frequente em jovens e adolescentes, que têm grande atividade de glândulas sebáceas. “As pessoas suam muito e isso faz com que o fungo se desenvolva”, afirma a dermatologista Anete Olivieria(Correio da Bahia)

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