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maio 13 2018

Ditadura da felicidade tem influência sobre depressão pós-parto, argumenta psicóloga

A maternidade é um período da vida no qual a mulher se sente plenamente feliz e realizada. Será que é assim mesmo? Esse pensamento sempre foi tido como regra, mas a realidade não é bem um paraíso. Com a maternidade, a vida de toda a família tende a mudar, mas o peso maior recai sobre a mulher. Em alguns casos, as alterações e pressões sociais são grandes demais e podem levar a um quadro de depressão pós-parto. “O momento pós-parto é bastante delicado porque a mulher precisa se organizar para essa nova realidade. Isso acontece sempre que a gente tem uma mudança profunda. Pode ser no momento de sair de casa, casar, conseguir um novo emprego, se aposentar… Esses momentos são bastante delicados porque são de reorganização. No caso da mulher, no pós-parto, a gente tem que lidar com a questão biológica muito forte, uma série de exigências e, para piorar, essa ideia de que é o melhor momento da vida, quando ela deve estar mais realizada. Tudo isso traz um peso para a mulher que não ajuda em nada, na verdade”, explicou a psicóloga Fabiana Kubiak, do Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba). De acordo com a profissional, não há fatores determinantes para o surgimento da depressão pós-parto, mas há fatores que têm influência cientificamente comprovada sobre a doença. Alguns exemplos são um vínculo familiar ou conjugal enfraquecido e a ausência do desejo de ser mãe. “As mulheres em geral não têm apoio nem da família nem da sociedade para exercer a maternidade. Pelo contrário, elas só têm cobrança, cerceamento de suas ações e escolhas”, acrescentou. Publicado em 2016, o maior estudo a respeito de parto e nascimento no país mostrou que, no Brasil, a cada quatro mulheres, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de seis a 18 meses após o nascimento do bebê. Para Fabiana, a ditadura da felicidade imposta às mulheres durante a maternidade é um fator que impede até mesmo que elas desabafem problemas vivenciados. “Ela não tem espaço para falar do peito que dói quando amamenta, não pode falar que não está conseguindo dormir direito, porque vai ouvir que ter filho é isso mesmo. Além do fato de ter obrigação de estar feliz, ela não tem espaço para falar dessas dificuldades. Como é que ela vai encontrar suporte e apoio?”, questionou. A psicóloga explicou ainda que é natural certa tristeza após o parto, devido às alterações vivenciadas. No entanto, a família deve ficar atenta a sinais de desânimo. Nesses casos, o mais importante é a busca de um profissional para diagnóstico e tratamento adequados. “O importante é que essa mulher vivencie a maternidade da forma que é melhor, afinal ela não é a única responsável pelo cuidado do bebê”, reforçou.(Bahia Notícia)

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