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set 28 2017

Taxistas criam grupos de bairro e clubes com desconto de até 50% contra Uber

Atualmente, 30 taxistas “do Vale” atendem aos chamados dos clientes – 15 ficam em pontos no Vale das Pedrinhas e na Santa Cruz e 15 em outros pontos localizados em outros bairros, dentre eles Cabula, São Rafael, Barra e no Centro. Por enquanto, o passageiro que está fora desses bairros e quer solicitar o serviço tem que contar com um pouco de sorte.

“Se a gente tiver circulando, o passageiro pode solicitar nosso serviço na rua e ir a qualquer lugar da cidade”, diz Ueverton Uendel Pereira de Sousa, 23 anos, cinco como taxista, um dos diretores do aplicativo.

Ueverton explica ainda que esse é um dos requisitos para o motorista atender pelo aplicativo ou pelo grupo no WhatsApp. “A gente mora num bairro considerado perigoso, então, já sabemos os cuidados que devemos tomar, como não entrar em determinadas localidades com farol alto, abaixar os vidros e acender a luz interna”, explica.

São 120 cadastros no aplicativo e cerca de 500 usuários no grupo do WhatsApp. “A ideia era usar só o app, mas muitas pessoas ainda preferem chamar a gente pelo grupo”, justifica Ueverton. Segundo ele, muitos clientes não têm mais memória no celular para baixar outro app ou têm dificuldade em lidar com outros aplicativos além do WhatsApp.

O serviço oferece ainda como vantagens a não cobrança de bandeira 2 e desconto de 20% nas corridas acima de R$ 13, quando bandeira 1. Além disso, eles aceitam pagamento em dinheiro, cartões de crédito e débito. “A pessoa pode pegar o táxi toda semana apenas apresentando o voucher que ela pagou”, explica Ueverton.

O serviço do Táxi do Vale cobra dos taxistas cadastrados uma taxa fixa de R$ 36,50 para manutenção do sistema, que conta com duas operadoras de WhatsApp e marketing através de distribuição de panfletos e anúncios na rádio do bairro. É impossível conversar no ponto do táxi do Vale sem que haja interrupção da conversa por cumprimentos feitos aos motoristas pelos moradores do bairro.

Para entrar na turma do Táxi do Vale, os taxistas cadastrados devem ser indicados por algum profissional que já faz parte do grupo. Além disso, não tem essa de recusar corrida. “O táxi não reclama de levar o passageiro em corridas curtas, além de levar para qualquer bairro de Salvador”, explica Cristiano Gonçalves, taxista há 20 anos que também é diretor do app. “Se o cliente reclamar com a gente, solucionamos imediatamente conversando com ele e, depois, com o taxista. É mais tranquilo porque temos um vínculo com o passageiro”, completa Ueverton.

Táxis unidos
Além das ações regionalizadas da categoria, há outras iniciativas para garantir desconto para clientes de vários bairros. “O número de usuários de táxi tem aumentado e algumas pessoas que não usavam táxi estão usando porque as corridas estão mais baratas”, diz Valdeilson Miguel. É o caso de Dimitri Tavares, 30, que tinha parado de pegar táxis desde a chegada do Uber. “Com os descontos que estão dando, o táxi passou a ser uma segunda alternativa”, diz.

Para aumentar o número de corridas, profissionais se associam a mais de um aplicativo, além de ficar ponto de táxi. “Agora, eu tenho as opções de atender solicitações de rua e pelos aplicativos 99 e Ontaxi. A vantagem é que eu trabalho mais assim”, explica o taxista Amilton Gonçalves, 58, que atua no ramo há 19 anos e faz ponto no Canela, onde os taxistas se organizaram para “oficializar” um desconto de 20% aos passageiros nas corridas acima de R$ 15.

Ele se juntou com outros 39 taxistas da central do bairro da Vila Laura para oferecer descontos de 20% em corridas a partir de R$ 15 e atendimento mais rápido ao cliente do bairro, sem que ele precise se deslocar até o ponto, na chamada Associação de Taxistas da Vila Laura.

“Nosso objetivo é garantir a nossa clientela e conquistar mais”, disse Valdir. Ele afirma que, com os descontos, o movimento nos táxis já voltou a aumentar. “A gente tem a vantagem de ser conhecido no bairro, já temos uma relação com o cliente”. De acordo com Antonio Cruz de Melo, diretor do Sindicato dos Taxistas de Salvador (Sinditaxi), a procura por táxis caiu cerca de 60% desde a chegada do Uber à capital baiana, há um ano e cinco meses.

Peso no bolso dos taxistas
Um dos motivos para os taxistas se associarem espontaneamente são as taxas cobradas pelos aplicativos, que, somadas aos descontos dados ao cliente, podem chegar a até 60% do valor da corrida. “Às vezes, o aplicativo dá 30% de desconto, mas esses 30% só o taxista que paga”, diz Valdir Figueiredo.

De acordo com ele, quando contabilizados valores cobrados para o taxista por associação aos aplicativos (para o serviço de táxi do aplicativo 99, por exemplo, a taxa cobrada é de 19,99% por corrida), o taxista perde muito no valor da corrida. “Muitos aplicativos cobram os valores com base na bandeira 1, independente do horário. Aí o taxista pode perder mais de 25% do valor só nisso, relativo à diferença das bandeiras”, explica Valdir.(Correio24Horas)

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