Utilização dos cartões de loja aumenta 28% e oferece vantagem; saiba como usar

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Assim como quem troca de roupa, o consumidor está trocando o cartão de crédito tradicional pelo cartão de loja. Isto por conta das facilidades na adesão, parcelamento, liberação de limite para compras e anuidade gratuita que são mais atraentes do que receber várias negativas de adesão dos cartões comuns. Segundo dados da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e do instituto Ipsos, o uso de cartões de loja ou de supermercados passou de 25% para 28%, sendo o maior índice já registrado nos últimos dez anos.

Por outro lado, a utilização do cartão de crédito recuou, passando de 42% em 2015, para 40% neste ano. Na avaliação do gerente de economia da Fecomércio-RJ, Christian Travassos, o cenário de aumento das taxas e o crédito bancário mais restrito criou um espaço que foi ocupado pelos cartões de estabelecimentos. “O comércio atualmente não oferece mais apenas um produto ou serviço, mas se preocupa com a experiência de compra como um todo”.

A queda da utilização do cartão de  crédito de instituições financeiras, na opinião de  Travassos, está relacionada  com o aumento do uso de outras formas de pagamento, como dinheiro em espécie e os cartões de estabelecimentos. “Apesar dos dois tipos de cartões terem uma lógica parecida, em muitos casos o cliente  pode conseguir desconto por usar o cartão do próprio loja ou algum outro tipo de vantagem”, acrescenta.

Facilidades
Foi justamente por isso que a geógrafa Márcia Santos passou a usar mais este tipo de cartão. Ao todo, ela carrega quatro cartões de estabelecimentos na carteira: Riachuelo, Leader, C&A e Renner. “Eu concentro minhas compras de roupas e sapatos nesses cartões, porque na loja dá para parcelar em mais vezes sem juros”, afirma.

Os cartões de crédito convencionais ficam para outras despesas, como por exemplo, remédios. Com tantos cartões a disposição e inúmeros parcelamentos, Márcia revela que já chegou a atrasar o pagamento da fatura. “Pode acontecer de eu não conseguir pagar no vencimento,  mas evito pagar apenas o mínimo, por conta dos encargos cobrados”, pontua.

A comodidade do parcelamento em mais vezes sem juros também é o motivo que leva o funcionário público Marcelo Reis a utilizar os cartões das lojas de departamento com frequência. “Com certeza a gente acaba gastando a mais na loja, por conta da oferta dos produtos e, às vezes, isso ultrapassa um pouco o orçamento”, conta. Para Marcelo, o fato de ir pagar o cartão na própria loja de departamento é algo que estimula ainda mais a compra. “Quase sempre, quando vou realizar o pagamento, acabo comprando alguma coisa, principalmente para a minha filha”, revela.

Alerta
Para o educador financeiro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli, é nestas “idas e vindas” nas lojas que mora o perigo. “É a versão moderna do marketing do carnê. Por ter o cartão desse estabelecimento, os clientes acabam criando o hábito de ir todos os meses lá e continuam gastando”, alerta. “Tantos parcelamentos podem virar uma dívida longa e pesada, e no caso de não pagamento ou atraso, os juros viram uma bola de neve”, completa.

O CORREIO fez um levantamento das taxas de juros cobradas nos cartões de algumas lojas de departamento. Os valores chegam a ser superiores à taxa média mensal dos cartões de crédito, que segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), fica em torno de 15,22%.

Por isso, mais uma vez, o especialista reforça a importância de, independente de ser de loja ou de banco, saber usar o cartão ao seu favor. “As pessoas se acostumaram a viver com esse crédito extra, mas  devem entender que isso não é uma renda e só comprar o que de fato é prioritário com uma parcela que irá caber no seu orçamento”, recomenda José Vignoli.(Correio da Bahia)

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