Quiabo tem aumento 66,6%, mas tradição garante o caruru

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Quem tem que pagar promessa para São Cosme e São Damião, além de juntar os sete meninos, vai ter que dar um jeito de fazer o quiabo do caruru render. Isto porque o ingrediente principal da iguaria preferida dos santos gêmeos está 66,6% mais caro este ano que no mesmo período do ano passado. O produto, que era vendido a R$ 6 (o cento) está custando R$ 10, mas na base da conversa, o freguês, pode conseguir por R$ 8, nas feiras de São Joaquim e da Sete Portas (veja os preços no boxe). 

Não foi só nas feiras que o ingrediente mais importante do caruru subiu de preço. De acordo com a Empresa Baiana de Alimentos    S.A. (Ebal), o valor do produto no atacado também apresentou aumento. Em relação às quatro últimas semanas, o quiabo vendido na Central de Abastecimento da Bahia (Ceasa) está 40% mais caro. Ele, que era comercializado a R$ 3 (o quilo) na penúltima semana de agosto, agora só é encontrado a R$ 5.

“A safra este ano foi ruim. A chuva atrasou a produção em Sergipe e aí a gente só ficou com o quiabo que vem de Canindé (BA). Costumo comprar, nessa época, 20 sacos. Só consegui comprar 10, e, ainda assim, um pouquinho na mão de cada”, conta o feirante Daniel Bispo, que vende quiabo e limão na Feira de São Joaquim há mais de 15 anos. 

Em compensação, a procura tem sido grande, mesmo faltando quase duas semanas para comemorar o dia dos santos, 26 (para os católicos) e 27 de setembro (para o candomblé e a umbanda).  “Vendi os últimos dez sacos em dois dias. Hoje (ontem), comprei mais dois.  Mesmo no início do mês, as pessoas estão empolgadas com o ritmo do caruru”, ressalta Bispo.

De olho na procura, o também feirante Jailton Pureza vende camarão e começou a arrumar a banca. “Com dinheiro curto, tá todo mundo com medo do preço subir ainda mais”. Este receio de pagar mais caro fez com que a estudante Ingrid Nayan não perdesse tempo, ainda que o caruru que vai dar  seja só no dia 24. “Por experiências anteriores, sei que, quanto mais tarde, mais caro. Consegui comprar o camarão e o dendê”, diz.

Tradição 
Para a aposentada Anilde Vilas Boas, não se brinca com tradição e prometeu, tem que cumprir. Por isso, nem mesmo o orçamento apertado impediu que fizesse o agrado a São Cosme e São Damião. “Eu sou gêmea, mas perdi o meu irmão. Guardo o dinheiro todo mês para o que vou gastar com o meu caruru”, conta. A primeira promessa, ela fez quando tinha 17 anos. “Pedi um bom emprego e consegui. Desde então, faço caruru todo ano. É sagrado”.  

Entendida do assunto, dona Anilde tirou a tarde para ir à feira junto com a nora e a sogra do filho, que vão dar um caruru na sexta. “Vou oferecer o caruru no meu aniversário pra ver se os santos realizam meu pedido”, afirma a enfermeira Daiana Castor. Sua mãe, Valdira Castor, confessa que insistiu para o caruru sair: “Já achei São Cosme e São Damião no chão e essa semana sonhei dando comida a um monte de crianças. A gente tem que dar esse caruru”. (Correio da Bahia)

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